Sobre o Terrorismo Poético da Negatividade

Robert Walser, um homem discreto, burguês  e vulgar. Teve vários empregos subalternos – empregado de livraria, secretário de advogado, empregado bancário, operário de fábrica. Walser retirava-se de vez em quando de Zurique para a Câmara de Escrita para Desocupados

Walser também foi parar aos manicómios. Ele dizia que era um zero à esquerda e queria ser esquecido. Caiu num ambíguo silêncio que durou 28 anos. Alguém disse que Walser é como um corredor de fundo que, quase a alcançar a desejada meta, pára surpreendido e olha para mestres e discípulos e desiste, isto é, fica na sua, que é uma estética de desconcerto. 

Walser faz lembrar Piquemal, um curioso sprinter, um curioso ciclista dos anos sessenta que era ciclotímico e às vezes se esquecia de terminar a corrida. 

Walser amava a vaidade, o fogo do Verão e os botins femininos, as casas iluminadas pelo Sol e as bandeiras ondulando ao vento. Mas a vaidade que ele amava nada tinha ver com o êxito pessoal, mas esse género de vaidade que á uma frágil exibição do mínimo e do fugaz

Robert Walser passou os vinte e oito últimos anos da sua vida fechado em manicómios. 

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