Uma das minhas palestras chama-se O Mito da Normalidade. É como se acreditássemos que existem por um lado pessoas normais e por outro existem as patologias como depressão, adição, ansiedade, esquizofrenia ou doença bipolar ou défice de atenção e tantas outras patologias. Mas o que eu vejo é um continuum. Existe um espectro e traços de personalidade que estão presentes em todas as pessoas e a ideia de que existe um normal e um patológico é um mito. De acordo com a pesquisa, o melhor lugar para ser esquizofrénico no mundo não são os EUA com toda a sua indústria farmacêutica, mas é, na verdade, uma aldeia algures em África ou na Índia, onde existe aceitação. Onde existe espaço para a diferença, onde as conexões não são quebradas mas sim mantidas. Onde tu não és excluído da sociedade, mas sim acolhido. E onde existe espaço para agires da maneira como que tens de agir. Ou expressar seja o que fôr que é necessário expressar. Um lugar onde as pessoas da comunidade poderão falar e até cantar contigo. E talvez encontrem um significado para a sua chamada loucura. Logo, é contextual, é cultural. Uma doença não é um fenómeno isolado do indivíduo, mas sim uma construção cultural, um paradigma.
Gabor Maté
