O homem que quer ser livre. Come, bebe, como qualquer outro, é funcionário, não faz política, lê L’ Oeuvre e Le Populaire e está em dificuldades financeiras. Mas quer ser livre como outros desejam uma colecção de selos. A liberdade é o seu jardim secreto. A sua pequena conivência para consigo próprio. Um tipo preguiçoso e frio, um pouco quimérico, mas muito razoável no fundo, que dissimuladamente construí para si próprio uma felicidade medíocre e sólida, feita de inércia e que justifica de vez em quando com elevadas reflexões. Não é isto que sou?

Jean-Paul Sartre | A Idade da Razão

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