Porque a mim, em literatura, unicamente me atrai o que, de entrada não consigo entender. John Cage, falando das suas leituras infantis, dizia que tinha um sistema muito simples de saber o que gostava ou não: gostava do que não entendia. Se entendia, abandonava-o, desiludido. Eu acho que vamos perdendo o gosto e a paixão para nos aventurarmos no incompreensível, para nos aventurarmos em tudo que se nos torna desconcertante, diferente, dissidente, estrangeiro, excêntrico.

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