Naquele tempo era difícil saber. Uma pessoa vai ao cinema ou ao teatro e vive a sua noite sem pensar nos que já cumpriram a mesma cerimónia, escolhendo o lugar e a hora, vestindo-se e telefonando, e fila onze ou cinco, a sombra e a música, a terra de ninguém e de todos ali onde todos são ninguém, o homem ou a mulher no seu lugar, talvez um pedido de desculpas por chegar tarde, um comentário em surdina que alguém acata ou ignora, quase sempre em silêncio, os olhares vertendo-se no palco ou no ecrã, fugindo do que está próximo, do que está deste lado.

Julio Cortázar | Gostamos tanto da Glenda

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