Talvez fosse possível morar em Copacabana e não enxergar nada daquilo, mas Maria circulava pelos lugares mais vivos do bairro, às horas mais mortas. Aliás, pagavam-lhe para isso. Em sua descrição, homens urinavam tranquilamente à porta dos bares e valentões espancavam gente indefesa, a poucos metros de policiais que, em vez de intervir, palitavam os dentes e davam gargalhadas boçais. Cada edifício tinha uma média de cinquenta janelas, atrás das quais se escondiam, pelas suas contas, três casos de adultério, cinco de amor avulso, seis de casal sem benção e apenas dois de conjugues unidos no padre e no juiz…E, como se não bastasse, faltava água.

Ruy Castro | Chega de Saudade – A história e as histórias da Bossa Nova

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