Antifonte (séc. V a.C.) foi um autêntico pioneiro que poderia estar na vanguarda da psicanálise e das terapias da palavra. O exercício da sua profissão tinha-lhe ensinado que os discursos se forem efectivos, podem influenciar poderosamente o estado de espírito das pessoas, comovendo, alegrando, apaixonando, sossegando. Então teve uma ideia nova: inventou um método para aliviar a dor e a aflição comparável à terapia médica dos doentes. Abriu um estabelecimento na cidade de Corinto e colocou um rótulo a anunciar que “podia consolar os tristes com discursos adequados”. Quando aparecia o cliente, ouvia-o com muita atenção até compreender a desgraça que o afligia. Depois “apagava-lha do espírito” com conferências controladoras. Usava o fármaco da palavra persuasiva para curar a angústia e, de acordo com os autores antigos, chegou a ser famoso pelos seus raciocínios sedativos. Depois dele, alguns filósofos afirmaram que a sua tarefa consistia em “expulsar o rebelde pesar através do raciocínio”.
Irene Vallejo | O Infinito Num Junco
