CONTRIBUTO PARA AS ESTATÍSTICAS

Em cem pessoas, sabedoras de tudo melhor – cinquenta e duas;

inseguras a cada passo – quase todo o resto;

prontas para ajudar, desde que não demore muito – quarenta e nove;

sempre boas, porque não conseguem de outra forma – quatro, talvez cinco;

dispostas a admirar sem inveja – dezoito;

constantemente receosas de algo ou alguém – setenta e sete;

aptas para a felicidade – vinte e tal, quando muito;

Individualmente inofensivas, em grupo ameaçadoras – mais de metade, com certeza;

cruéis, por força das circunstâncias – é melhor não sabê-lo, nem aproximadamente;

com trancas na porta depois da casa roubada – quase tantas como aquelas que as têm, antes da casa roubada;

não levando nada da vida a não ser coisas – quarenta, embora preferisse estar enganada;

agachadas, doloridas, e sem lanterna no escuro – oitenta e três, mais tarde ou mais cedo;

dignas de compaixão – noventa e nove;

mortais – cem em cem. Número, até agora, não sujeito a alterações.

Wislawa Szymborska, INSTANTE, tradução de Elżbieta Mikewska e Sérgio Neves, ed. Relógio D’ Água

Deixe um comentário