Ao falarmos do vagabundo é costume dizer-se/ que acenou com o chapéu, e foi-se./ Ao falarmos do outono é costume dizer-se/ que implacável arrebatou as folhas/ das árvores, e foi-se./ Ao falarmos das grandes dignidades/ é costume dizer-se que repartiram/ agradecimentos e favores, e foram-se./ Ao falarmos da dor é costume dizer-se/ que chamou deContinuar lendo

Hoje resolvi mandar uma de Madame Psicose (em homenagem ao imortalizado DFW, uma espécie de inside joke para quem leu o Infinite Jest), aos sofredores de burnout, aos hiperactivos, hiperfrenéticos e hiperneuróticos, aos deprimidos e frustrados. Às tensões geopolíticas, às crises climáticas, à escassez da água até 2050, ao colapso económico, à especulação imobiliária, àsContinuar lendo

O plural colectivo, elevado à máxima afirmativa Yes, we can, traduz precisamente o carácter positivo da sociedade da produção. As proibições e as obrigações, as ordens e as leis são substituídas pelos projectos, pelas iniciativas e pelas motivações. A sociedade disciplinar era ainda dominada pelo não. A sua negatividade produzia loucos e criminosos. A sociedadeContinuar lendo

Sobre o Terrorismo Poético da Negatividade Robert Walser, um homem discreto, burguês  e vulgar. Teve vários empregos subalternos – empregado de livraria, secretário de advogado, empregado bancário, operário de fábrica. Walser retirava-se de vez em quando de Zurique para a Câmara de Escrita para Desocupados.  Walser também foi parar aos manicómios. Ele dizia que eraContinuar lendo