Continuo a fazer de conta que não sou cego, continuo a comprar livros, continuo a encher a minha casa de livros. Há dias ofereceram-me uma edição de 1966 da Enciclopédia Brockhaus. Senti a presença desse livro na minha casa, senti-a como uma espécie de felicidade. Ali estavam os vinte e tal volumes, escritos numa letra gótica que sou incapaz deContinuar lendo
Arquivos da categoria: Poesia
Considerava as palavras do meu amigo enquanto bebia cerveja num bar perto da estação. No calor do bar a roupa fumegava. Gotas de água à volta. Calma solidão sem dor. Havia música. A minha alma conhecia os seus caminhos. A terra era grande. Tudo quanto eu fizesse, cada coisa que me acontecesse, não me tornariamContinuar lendo
As árvores para dar flor há-de-lhes doer. Raul Brandão | Diário de K. Maurício
Ao falarmos do vagabundo é costume dizer-se/ que acenou com o chapéu, e foi-se./ Ao falarmos do outono é costume dizer-se/ que implacável arrebatou as folhas/ das árvores, e foi-se./ Ao falarmos das grandes dignidades/ é costume dizer-se que repartiram/ agradecimentos e favores, e foram-se./ Ao falarmos da dor é costume dizer-se/ que chamou deContinuar lendo
Pequeno grande conto sobre o amor: “Uma mulher apaixonou-se por um homem que estava morto havia anos. Não lhe bastava escovar-lhe os casacos, limpar-lhe o tinteiro, tocar o seu pente de marfim: teve de construir a sua casa sobre a sepultura dele e sentar-se com ele, noite após noite, na cave húmida.” O autor deste contoContinuar lendo
perdidos por natureza própria
Ah, se já perdemos a noção da horaSe juntos já jogamos tudo foraMe conta agora como hei de partirSe, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvariosRompi com o mundo, queimei meus naviosMe diz pra onde é que inda posso irSe nós, nas travessuras das noites eternasJá confundimos tanto as nossas pernasDiz com queContinuar lendo
Há uma só vida e envolvê-la-emos com escamas.
CONTRIBUTO PARA AS ESTATÍSTICAS Em cem pessoas, sabedoras de tudo melhor – cinquenta e duas; inseguras a cada passo – quase todo o resto; prontas para ajudar, desde que não demore muito – quarenta e nove; sempre boas, porque não conseguem de outra forma – quatro, talvez cinco; dispostas a admirar sem inveja – dezoito;Continuar lendo
Nasci para roer o silêncio.
