As árvores para dar flor há-de-lhes doer.
Raul Brandão | Diário de K. Maurício
As árvores para dar flor há-de-lhes doer.
Raul Brandão | Diário de K. Maurício
As duas últimas linhas dizem assim:
Aguenta o barco, querida, este mundo é muito louco. E, como se costuma dizer, é tudo.
Charles Bukowsky | A Sul de Nenhum Norte
Nunca pudera prender-se definitivamente a um amor, a um prazer, nunca fora realmente infeliz; sempre lhe parecera estar algures, não ter ainda nascido completamente. Esperava.
Jean-Paul Sartre | A Idade da Razão
J’adore le passé. C’est tellement plus reposant que le présent. Et tellement plus sûr que l’avenir.
La ronde, Max Ophuls 1950
as tuas mãos
eu juro não desperdiçar
penso sempre nelas
quando começo
a viver
O homem que quer ser livre. Come, bebe, como qualquer outro, é funcionário, não faz política, lê L’ Oeuvre e Le Populaire e está em dificuldades financeiras. Mas quer ser livre como outros desejam uma colecção de selos. A liberdade é o seu jardim secreto. A sua pequena conivência para consigo próprio. Um tipo preguiçoso e frio, um pouco quimérico, mas muito razoável no fundo, que dissimuladamente construí para si próprio uma felicidade medíocre e sólida, feita de inércia e que justifica de vez em quando com elevadas reflexões. Não é isto que sou?
Jean-Paul Sartre | A Idade da Razão
Bem vês, a culpa é das circunstâncias. A verdade é que não sou uma pessoa bizarra por enfiar bocados de kleenex amarrotado nos ouvidos e atar um cachecol à cabeça: quando vivia só, tinha todo o silêncio de que precisava.
O bom, se breve, é duas vezes bom.
Enrique Vila-Matas |Estranha forma de vida
I went to hear Krishnamurti speak. He was lecturing on how to hear a lecture. He said, “You must pay full attention to what is being said and you can’t do it if you take notes.” The lady on my right was taking notes. The man on her right nudged her and said, “Don’t you hear what he’s saying? You’re not supposed to take notes.”She then read what she had written and said, “That’s right. I have written down right here in my notes.”
John Cage | Indeterminacy
Ao falarmos do vagabundo é costume dizer-se/ que acenou com o chapéu, e foi-se./ Ao falarmos do outono é costume dizer-se/ que implacável arrebatou as folhas/ das árvores, e foi-se./ Ao falarmos das grandes dignidades/ é costume dizer-se que repartiram/ agradecimentos e favores, e foram-se./ Ao falarmos da dor é costume dizer-se/ que chamou de noite/ clandestinamente à porta, e foi-se./ Ao falarmos do pobre homem é costume dizer-se/ que a chorar mostrou o coração, e foi-se.
Robert Walser (15 de Abril de 1878 – 25 de Dezembro de 1956)