O homem que quer ser livre. Come, bebe, como qualquer outro, é funcionário, não faz política, lê L’ Oeuvre e Le Populaire e está em dificuldades financeiras. Mas quer ser livre como outros desejam uma colecção de selos. A liberdade é o seu jardim secreto. A sua pequena conivência para consigo próprio. Um tipo preguiçoso e frio, um pouco quimérico, mas muito razoável no fundo, que dissimuladamente construí para si próprio uma felicidade medíocre e sólida, feita de inércia e que justifica de vez em quando com elevadas reflexões. Não é isto que sou?

Jean-Paul Sartre | A Idade da Razão

I went to hear Krishnamurti speak. He was lecturing on how to hear a lecture. He said, “You must pay full attention to what is being said and you can’t do it if you take notes.” The lady on my right was taking notes. The man on her right nudged her and said, “Don’t you hear what he’s saying? You’re not supposed to take notes.”She then read what she had written and said, “That’s right. I have written down right here in my notes.”

John Cage | Indeterminacy

Ao falarmos do vagabundo é costume dizer-se/ que acenou com o chapéu, e foi-se./ Ao falarmos do outono é costume dizer-se/ que implacável arrebatou as folhas/ das árvores, e foi-se./ Ao falarmos das grandes dignidades/ é costume dizer-se que repartiram/ agradecimentos e favores, e foram-se./ Ao falarmos da dor é costume dizer-se/ que chamou de noite/ clandestinamente à porta, e foi-se./ Ao falarmos do pobre homem é costume dizer-se/ que a chorar mostrou o coração, e foi-se.

Robert Walser (15 de Abril de 1878 – 25 de Dezembro de 1956)